segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ninguém regula a América.


Rafael Drumond

Quero iniciar essa parada com uma pergunta: se o sistema econômico mundial rejeita a idéia de escassez de recursos, uma vez que, se a demanda exceder a oferta, os recursos ficarão caros e esse excedente será controlado e sanado pelas novas tecnologias que prosseguirão por meio das criatividades e inventividades humanas, por que então não findar ( ou quem sabe, nucleá-lo)logo o conflito busca pela hegemonia x potência criativa da multitude? Para tanto, insisto que o poder de criação de comunicabilidade, de interação, de invenção, de remodelagens sociais, de interrelações entre seres de culturas distintas etc, representam a multidão.

Contudo, penso que a idéia de que a inventividade humana pode superar a escassez natural não é nova. Os positivistas acreditavam que a industrialização permitiria à humanidade vencê-la. Seguindo-os nesta fé, Karl Marx imaginou que o industrialismo tornaria possível um estado de adundância em que tanto os mercados quanto o Estado seriam obsoletos. Essa linha de pensamento se chocou com a década de 90 do século XX, quando por escassez de recursos, estorou uma guerra, afinal, os EUA não permitiriam que o controle das saídas de petróleo kwaitinianos e sauditas saissem de suas mãos.
Longe de dar início a uma nova era de governança global, a globalização está produzindo o renascimento do império. O modo de governo imperial está sendo reiventado em silêncio como único remédio para os perigos que nascem dos Estados fracassados; mas os protetorados criados até agora em países como Bósnia, Kosovo e Afeganistão não são simples projeções do poderio norte-americano. São empreendimentos internacionais, que funcionam dentro do arcabouço de instituições como a OTAN, a União Européia e a ONU, tirando a participação do Banco Mundial e do FMI, na propagação e perpetuação da hegemonia imperial movida por burocracias capitalizadas por corporações sólidas do ponto de vista econômico.

A favor da Al Quaeda, no que diz respeito à ruptura de um mito americano proporcionada pelas atuações militares ( que alguns insistem em dizer que é terrorismo, não entrarei aqui nesse mérito) seja lá de quem for. Penso que a mudança de visão dos próprios americanos acerca do que representa os EUA para o mundo já faz com o que a coisas saem do controle e isso nesse caso é de extrema importância.

Mais uma vez, lido aqui com a dualidade império multidão, retornando e reecaminhando nos mesmos espaços de análises. Talvez quebrar essa regra será o núcleo da dialética do meu próximo post.




terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Difusão Cultural

Há uns dias, lendo um livro de antropologia chamado “Cultura, um conceito antropológico” me deparo com um anexo, já no final, que me fez ter “aquela” vontade de postar.Achei interessantíssimo e super válido posta-lo aqui, segue o texto :

Não resta dúvida que grande parte dos padrões culturais de um dado sistema não foram criados por um processo autóctone, foram copiados de outros sistemas culturais. A esses empréstimos culturais a antropologia denomina difusão. Os antropólogos estão convencidos de que, sem a difusão, não seria possível o grande desenvolvimento atual da humanidade.

Nas primeiras décadas do século XX, duas escolas antropológicas (uma inglesa, outra alemã), denominadas difusionistas, tentaram analisar esse processo. O erro de ambas foi o de superestimar a importância da difusão, mais flagrante no caso do difusionismo inglês que advogava a tese de que todo o processo de difusão originou-se no velho Egito. Mas deixando de lado o exagero difusionista, e mesmo considerando a importância das invenções simultâneas (isto é, invenções de um mesmo objeto que ocorreram inúmeras vezes em povos de culturas diferentes situados nas diversas regiões do globo), não poderíamos ignorar o papel da difusão cultural.

Numa época em que os norte-americanos viviam um grande desenvolvimento material e os seus sentimentos nacionalistas faziam crer que grande parte desse progresso era resultado de um esforço autóctone, o antropólogo Ralph Linton escreveu um admirável texto sobre o começo do dia do homem americano:

O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos estes materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são una mistura de invenções européias e norte-americanas, mias e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.
Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário têm a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do século XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.
De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abissínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria-prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple, inventado pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de uma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no Norte da Europa. Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradece rã a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano.


Referência:
Laraia, Roque de Barros, 1932-
1.331c Cultura: uni conceito antropológico / Roque
14.ed. de Barros Laraia. — 14.ed. — Rio de Janeiro: Jorge
“Zahar Ed., 2001
(Antropologia social)

Lorran Oliveira

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

CAIXAS-MÁQUINAS-MUNDO DE PANDORA.




Murilo Esteves Junior

www.twitter.com/muriloejunior

muriloejunior@gmail.com


Os brinquedos infantis são verdadeiras caixas de pandora. E o Circuit Bending vem trazer à tona toda a possibilidade de criação aleatória e caótica desses brinquedos. A princípio, temos um teclado infantil com seus sons de guitarra e pianos pré-moldados e fabricados no modo fordista. Um “bender” resolve abrir essa caixa, tornar “livre” o hardware. As possibilidades de transformar os sons em algo novo são infinitas, horas de experimentações são possíveis, ondas sonoras aleatoriamente alienígenas. Vamos descobrindo o circuito e a arquitetura que há pouco era fechada e restrita; agora estamos livres para nos apropriarmos da maneira que bem quisermos dessa caixa, que ainda não conhecemos muito bem, mas sabemos como funciona e como queremos usá-la: aleatoriamente, experimentalmente e totalmente aberta, para que funcione de acordo com nossos desejos.

Os computadores são verdadeiras caixas-máquinas: máquinas que criam e comandam outras caixas-máquinas, mas são, em sua maioria, caixas fechadas graças às licenças proprietárias. Tanto em Hardware quando em Software, as caixas-máquinas são lacradas. O novíssimo Macbook, que é desejo consumista dos entusiastas da ciber-elite, é o exemplo claro desse sistema fechado da caixa de pandora proprietária. O novo modelo desse laptop é um monobloco (caixa) fechado, tendo parafusos apenas em sua parte de baixo. A empresa alega que isso é em função da economia de bateria, mas sabemos claramente que a Apple é uma empresa proprietária que desenvolve quase todos os componentes de seus computadores com códigos fechados. A arquitetura tanto dos softwares quanto dos hardwares são distintas da maioria dos outros computadores, o que faz com que o conhecimento e a possibilidade de “liberdade” de conhecimento e modificação sobre esse produto seja quase impossível. Ficamos, assim, a mercê de uma caixa fechada, que usamos como os fabricantes bem entendem e nos pré-determinam, já que a caixa não pode ser modificada.

Todos podem usá-la como um computador, podendo ainda adquirir diversos usos como uma máquina de escrever, um instrumento musical ou até mesmo um controlador de eletricidade. A partir do momento que temos acesso às estruturas, às dinâmicas e aos processos interiores, podemos reinterpretar quaisquer dados de uma nova maneira, interagindo inesperadamente com outros objetos.

O software livre PureData (PD) é um exemplo dessa reapropriação, rearticulação e modificação de sinais digitais e analógicos.

Sabendo operar e transformar um sinal, podemos criar novas ferramentas para o nosso mundo e tornar os locais mais acessíveis e mais personalizados a cada um de nós, a computação ubíqua já está diante de nós, vivemos numa única grande caixa.

Um exemplo de hibridização de sinais analógicos/ digitais é o hardware livre arduino.

Já não é mais ficcional imaginarmos locais que nos reconheçam quando adentramos nele, ou melhor, podemos ser reconhecidos em qualquer lugar do planeta graças às tecnologias de controle como RDIF, GPS e outros micro-chips - Deleuze e Guattari já previam isso na sociedade de controle. A caixa-planeta-big-brother está aí, e é usada para recolher dados que nem sempre queremos fornecer.

E os dados que queremos ter acesso? Será sempre um processo de hackeamento? De benders? Será sempre uma invasão, uma destruição e uma fuga? Um êxodo pra dentro do próprio sistema a fim de mostrar os antagonismos, mas também de habilitá-lo e torná-lo comum? A princípio, a abertura dessas caixas-máquinas-mundo-pandora, pode parecer subversiva e criminosa, mas é um desejo comum da multidão conhecer essas dinâmicas escondidas. É a necessidade de tornar o conhecimento de fluxos de bit, dados, sinais e eletricidade comum. Precisamos trazer isso para o cotidiano, para que todos nós, com o conhecimento socializado, possamos nos apropriar dos elementos da maneira como bem quisermos. Cada um pode, a partir de uma caixa comum, utilizá-la de maneira análoga às outras pessoas.

Não podemos mais estar à mercê de um ciber-elite que detém o conhecimento dos processos de reprodução das máquinas. Não podemos mais consumir produtos fechados que vem até nós com uma única funcionalidade. É hora de abrir os circuitos, causar verdadeiras panes e distorções sonoras e elétricas. Preferimos o caos criativo e inovador à repetitiva reprodução monótona.

As coisas são aquilo que vemos, mas podem ser mais que isso. Pois “sabendo portá-la, toda ferramenta é uma arma”.







segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Império Contra Ataca

Thamiris Souza


Apesar das aparências o império não acabou com a independência das ultimas colônias africanas nos anos 70, hoje ainda essas mesmas colônias são exploradas e não só elas, mas também as das Américas e da Ásia continuam o ciclo de produzir e enviar riqueza para uma "metrópole".
Mas hoje as metrópoles não são tão facilmente identificadas, elas num tem um povo, uma língua, nem mesmo um ponto geográfico especifico que as caracterize, as metrópoles imperialistas do século XXI são as grandes empresas multinacionais.
Elas estão e toda a parte, envolvidas em todo tipo de negócios, e tem armas capazes de fazer valer sua vontade em qualquer parte do globo. Os ajustes do fundo monetário internacional (FMI) são um exemplo. Todas as ações impingidas pelo fundo aos países devedores como forma de liberação de mais credito tem o único objetivo de preparar o terreno para a ação das multinacionais, os bem elaborados planos neoliberais de desenvolvimento só tem como resultado o aumento da pobreza e o saque aos bens do estado.
Vale a pena falar um pouco do nosso velho amigo, o estado. Comitê para gerir os interesses comuns da burguesia, como notou Marx, o estado hoje é ainda mais maléfico. Ele vende os países mundo a fora realizando ajustes para maximizar os lucros do mercado em detrimento da miséria da população.
O fato é que como Adam Smith havia previsto, o liberalismo se tornou global, e os seus "benefícios" hoje atingem todo o mundo. A exploração que no passado foi de homem a homem hoje atingiu níveis assombrosos, as vitimas são contadas aos milhões e não existe esperança de que o cenário vá mudar.
Essa mentalidade de "lucros acima da vida humana", que vem tomando conta da humanidade desde que o fim do feudalismo, vai provavelmente causar o fim dos seres humanos como espécie. Com duas guerras mundiais e uma fria no currículo acho que os impérios do século XXI estão no caminho certo para nos aniquilar.


Globalização

GALDÊNCIA BARCELOS FANTIN



Com o fenômeno moderno da globalização da economia as organizações estão buscando diferentes formas de cooperação para aumentarem a sua competitividade. O desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação (TIC’s) aponta para uma intensificação do seu uso nas relações de negócios entre empresas, provocando alterações principalmente com relação à interação com o consumidor, na logística de obtenção dos suprimentos, na integração da cadeia de valor e na gestão do conhecimento. Nesse contexto, o conceito de organização virtual está sendo pesquisado como uma alternativa estratégica para aumentar os ganhos dentro de uma cooperação entre organizações. Este estudo apresenta a pesquisa realizada com empresas dos segmentos de tecnologia, empreendimentos turísticos e laboratórios de pesquisa na cidade de Florianópolis objetivando conhecer suas competências e formar o primeiro elemento da organização virtual: a plataforma. Diante da complexidade da identificação da competência essencial, esta foi considerada a partir de suas habilidades constituintes. A pesquisa estrutura um conjunto de informações com esse intuito e mostra o posicionamento de cada setor abordado de acordo com as características (vetores) mapeados. O trabalho contribui para o estabelecimento empírico e teórico de referências para outras regiões que, a exemplo de Florianópolis, escolheram desenvolver sua economia por meio de programas regionais, estabelecimento de parques tecnológicos, incubadoras e incentivos governamentais. Com isso, uma nova forma de desenvolver oportunidades, por meio da cooperação sistemática de competências complementares pode criar níveis cada vez maiores de excelência e competitividade acompanhando os requerimentos exigidos pela globalização econômica e pelos mercados de alta tecnologia.

PALAVRAS-CHAVE: Organizações virtuais. Cooperação entre empresas. Alianças. Corporação virtual. Competências empresariais. Competência essencial.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Publiquei um texto curto sobre resistência na revista de filosofia da PUC do Rio Grande do Sul:


http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/intuitio/article/view/5978/4548

Davis

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

formas de resistências


Rafael Drumond


Locais e métodos diferentes de resistências tem sido tradicionalmente definidos em termos de tempo e espaço. O objetivo da maior parte das ações de resistências tem sido desestabilizar um espaço físico limitado, na suposição de que o poder, como a sociedade na qual se assenta, é sedentário e está confinado a uma localização geográfica fixa.
No entanto, avanços tecnológicos recentes trouxeram à luz a necessidade de reavaliar a ruptura espacial como a única forma produtiva de resistência. De fato, a própria natureza do poder mudou fundamentalmente. Não mais intimamente amarrado ao espaço estatal, ele se recentralizou na zona livre do tempo. O poder livrou-se tanto quanto possível de seus acessórios sedentários, de forma que o lugar onde se encontra importa menos do que a velocidade de seu movimento entre pontos temporários de bloqueio, e do que o tempo necessário para remover os bloqueios, sejam eles de ordem étnica, econômica ou política.

Com a emergência de redes internéticas, o espaço autoritário pode ser dobrado e levado para qualquer ponto do rizoma eletrônico digital. A máquina de guerra deslocou sua estratégia para longe da fortaleza centralizada e em direção a um campo flutuante descentralizado e desterritorializado. Tornou-se desincorporada. A ideologia que corresponde a este deslocamento econômico ainda está para realmente se solidificar: a ideologia do sedentário ainda é dominante.

Dada essa situação, um dos objetivos-chave para o trabalho cultural da resistência é perturbar a solidificação da nova ideologia antes que ela se torne uma ordem simbólica de uma tirania ainda maior do que a existente, e recanalizar a fusão dos vídeos, telefone e computador para uma forma descentralizada acessível a outros além da elite do poder. Antes esta tarefa quase impossível possa ser tentada, os trabalhadores culturais devem dar um passo atrás e usar o tempo, em vez de espaço, como um referencial para analisar as prioridades da resistência.

Nesse sentido, cabe a pergunta que já se desgastou quando se discutiam historicismo e outras teorias: onde fica a história? quando se trata de mudar profundamente a idéia do tempo perante aos fatos.

Quanto maior a velocidade, maior a intensidade da fragmentação. A história não existe mais: apenas a reflexão especulativa perdura no que é agora o fractal do tempo. As trocas de informaçãoes constantes criaram mecanismos de comunicabilidade entre os indivíduos que tendem para a produção imaterial.

A velha ótica do trabalho, da divisão do trabalho enquanto espinha dorsal histórica no nível macro, ou enquanto crítica da opressão da linha de montagem no nível micro, agora é insuficiente para descrever e explicar a separação que ocorreu no mundo modermo para o pós moderno. A fragmentação do tempo vivido ocorre não apenas em macroinstituições abstratas, mas também existe no nível micro da vida cotidiana, assim como no nível intermediário dos agrupamentos sociais.

O presente foi estilhaçado em milhares de cacos, todos os quais requerem distintas estratégias de resistências. Agora, mais do que nunca, deve-se adotar uma epistemologia anarquista, uma espistemologia que leve a um conhecimento de cada circunstância. A resistência deve permitir e liberar meios de exploração e pesquisa em qualquer zona de tempo ou zona espacial. Software livre, interconexões sem limites, formas ilimitadas de criatividades, sabotagens eletrônicas, interfaces profundas entre a multidão consigo mesma, etc. Quem for capaz de estar livre para se mover através do tempo, estará se deslocando do poder nômade do Império e alimentando a carne da multidão. A esperança voltou para seu devido lugar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Esse texto foi só para dar início aos trabalhos e para mostrar que só precisa ser um ensaio, uma poesia, uma ideía, e não um texto acadêmico formal.
Abraço a todos que participaram do Gen esse ano.


Foi mais vez Nietzsche, arauto da insanidade, quem colocou de forma lúcida o problema:

Onde estão os bárbaros do século XX-XXI?
Que territórios estão invadindo?
O que querem saquear?


O novo bárbaro saqueia, por um lado, o novíssimo fascismo de mercado e, por outro, nossa mesquinha subjetividade cotidiana. O novo bárbaro é antifascista porque ama a manifestação da diferença, as mestiçagens de todos os tipos, não se horroriza com as experiências alternativas à pseudo normalidade sexual e escapa da cultura das identidades. Ele quer liberar a ação política de toda paranóia unitária e totalizante, quer fazer crescer mais a ação, a proliferação e a disjunção do que a hierarquização piramidal, prefere tudo que é positivo e múltiplo, escolhe o fluxo às unidades, opta, enfim, por tudo que não é sedentário, mas nômade no pensamento. Praticar a barbárie positiva é não precisar ser amargo para ser intelectual ou militante, não exigir que a política restabeleça os “direitos do indivíduo”, pois o indivíduo é, ele mesmo, produto do poder e, principalmente, como diz Foucault, não cair de amores pelo poder. Ou seja, não ansiar por nenhum tipo de poder.

Não desejar o poder, ou melhor, viver uma vida não fascista implica, portanto, num profundo ato de recusa que se manifesta nos mais diversos contornos de nomadismo, deserção e êxodo. Recusar-se a endossar a repressão intrafamiliar, evacuar nossa paixão pelo patriotismo e o regionalismo, com seus toques inevitáveis de racismo, abandonar a mitificação da preguiça, deixar de exaltar, viver e vestir a organização competitiva em grande escala dos mercados esportivos, nomadizar a angustia, a culpabilidade, a virilidade, a monogamia e o fatalismo. Se na modernidade a resistência se dava pelos mais diversos tipos de sabotagem à disciplina industrial e por uma oposição direta ou dialética de forças, em nossos tempos o ato de “ser contra” pode ser mais eficaz numa atitude oblíqua ou diagonal, operada por subtração, ou seja, uma completa deserção dos lugares de poder por meio da criação de modos de vida alternativos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

GEN - encerramento dia 25/11 (quarta) com o vídeo "Compre-me"

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O encontro do dia 21/10 foi adiado para o dia 28/10.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Poder nômade, poder do Império

Rafael Drumond

Uma narrativa que sempre me inquietou foi a dos movimentos trabalhistas e a crença de que a chave para a resistência é fazer um corpo organizado de trabalhadores parar a produção. Tal como a idéia de revolução, a idéia de sindicato foi despedaçada, e talvez nunca tenha existido na vida cotidiana. A ubiquidade, ou seja, a forma de poder estar em todo os lugares, ao mesmo tempo, das greves suspensas, cortes voluntários de salários e demissões "voluntárias" atestam que aquilo que se chama sindicato não passa e uma burocracia trabalhista.

A fragmentação do mundo, - em nações, em regiões, Primeiro e Terceiro Mundos etc -, como método disciplinador utilizado pelo poder nômade ( talvez esse poder seja do Império?!?!) - tornou anacrônicos os movimentos trabalhistas nacionais. Os locais de produção são móveis demais e as técnicas de gestão flexíveis demais para que a ação trabalhista seja eficaz. Se os trabalhadores de uma região resistem às exigências corporativas, uma fonte de mão-de-obra aternativa é rapidamente encontrada.

A transferência das fábricas da Dupont e da General Motors para o México, por exemplo, demonstra esta habilidade nômade. Como colônia fonte de mão-de-0bra, o México também permite a redução dos custos unitários, eliminando os padrões salariais de Primeiro Mundo e os direitos trabalhistas. O preço da velocidade do mundo corporativo é pago pela intensificação da exploração. A sustentada fragmentação do tempo e do espaço faz com que isso seja possível. O tamanho e o desespero da mão-de-obra do Terceiro Mundo, em conjunto com sistemas políticos cúmplices, deixam as classes trabalhadoras organizadas sem uma base a partir da qual possam barganhar. No momento, não vejo luz no fim do túnel.

domingo, 27 de setembro de 2009

Últimas informações

+ As inscrições podem ser feitas até o dia 29/09

+ O texto para ser debatido no primeiro encontro já se encontra disponível na copiadora da instituição


Grupo de Estudos sobre a obra Império (A. Negri e M. Hardt).

O Grupo de Estudos Nômades (GEN) convida todos para participar do grupo de discussão sobre a obra Império de Antônio Negri e Michael Hardt. O GEN encontra-se no terceiro semestre de seu funcionamento e já se dedicou a estudar trabalhos de Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari.
Informações:
- Início: 30/09 (encontros quinzenais).
- Carga Horária: 20hs
- Organização: Davis M. Alvim e Murilo Esteves Jr.
- Local: Faculdade Cesat (Jd. Limoeiro – Serra ES)
- Telefone: 3041 7072 (Coord. de História e Ciência Política).
http://www.cesat.br/

quinta-feira, 3 de setembro de 2009



Poucas coisas que sei sobre Biocapitalismo.

Murilo Esteves Junior



Primeiramente gostaria de esclarecer que o filme a ilha não tem nada a ver com o livro a ilha de Aldous Leonard Huxley, como sou amante de Huxley aluguei o filme achando que tivesse algo parecido. Na verdade existem certas coincidências do filme com o livro Admirável Mundo Novo.



Gostaria aqui de apresentar um problema que muitas vezes não fica claro, e num segundo momento usando uma técnica “distópica” ou sendo um pouco anacrônico “Praemeditatio Maloroum”, que nada mais é no que pensar numa possibilidade das coisas atuais chegarem a pontos “piores”. É difícil emitir juízos de valor, mas acredito que se omitir e apenas ver as transformações da sociedade também não seja uma das melhores opções.



No filme a ilha as pessoas vivem num abrigo subterrâneo, pois querem escapar de uma contaminação que atingiu grande parte do globo terrestre, sendo que existe apenas um local no mundo que se pode viver na superfície: a própria ilha. O que esses moradores subterrâneos não sabem é que na verdade não passam de clones e que são meras peças de estoque para outros humanos que vivem na superfície terrestre onde a contaminação de fato não aconteceu.“O filme é de ficção é claro que possui suas licenças poéticas e absurdas”.



A clonagem humana ainda não foi realizada legalmente e no filme parece ser um processo muito simples.A principio parece bem claro o que quero propor: biocapitalismo é a fabricação de clones para serem “apólices de seguro”. Então vocês argumentarão que isso ainda não acontece e que talvez eu seja apenas um paranóico. Então pretendo entrar numa questão mais atual e que realmente está acontecendo em algumas partes do globo.



Algumas empresas já estão adotando o mapeamento genético como um dos exames necessários para a contratação de funcionários. Qual a importância disso? Detectar “falhas”genéticas vejam bem. Se duas pessoas concorrem a uma vaga e possuem as mesmas habilidades e mesmo currículos provavelmente o que causara menos custos ao plano de saúde da empresa será contratado.Dentro dessa situação vejo duas possibilidades de analise: a primeira seria a de que vivemos em uma sociedade de controle, a sociedade informacional. Muitas empresas nos monitoram a fim de descobrir mais dados sobre nós, nosso gene é uma de nossas bio-riquezas e acredito então ser positivo quem tenhamos algum direito a privacidade de nossos próprios dados.



O segundo problema é apresentado juntamente com a sociedade de controle, e o controle das informações genéticas. É difícil assumir, a maioria de nós ainda tem vergonha do fascismo histórico, europeu que ocorreu no entre guerras e durante a segunda guerra, mais difícil e ridículo de aceitar são os movimentos neofascistas e neonazistas que vemos nas televisões, em web sites ou em nossas próprias cidades. Porem existe um fascismo, um biocapitalismo fascistas a nossa volta. Um biocapitalismo que pretende criar uma “raça pura”, uma forma de homogeneizar, ou como diria Negri em seu Abecedário Biopolítico criar uma eugenia, acabar com a hibridização.



Num momento pós moderno, onde acreditamos na hibridização cultural, espacial, no trabalho e em tantos outros campos temos que abrir nossas percepções para problemas como esses.O biocapitalismo pode ser analisado também como os biopiratas, cientistas que “roubam” a riqueza biológica de outros países e detém seus direitos.Fico me perguntando às vezes se para fazer filhos daqui a alguns anos teremos que pagar direitos autorais pelos seus genes, pois algumas pesquisas procuram o “adão cientifico” já que muitos dos traços genéticos de nós humanos são parecidos.E se realmente esse controle genético de fato acontecer fico me perguntando como poderíamos nos relacionar com outras pessoas. Os genes em geral seriam muito parecidos, teríamos muitos gêmeos, irmão, mães e pais a solta. E se gostássemos de uma garota e ela tiver o DNA de nossa mãe? Então o capitalismo controlará até mesmo nossas relações amorosas através do DNA.



Um filme que de fato mostra essa exclusão que o biocapitalismo pode gerar se chama CÓDIGO 46.Ter um determinado gene pode significar ter acesso ou não dentro da sociedade de controle. A ciência é nosso golem.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Império pós-moderno, imperialismo moderno. (visões de um mundo contemporâneo)

Murilo Esteves Junior
Parece-me ser uma duvida comum a confusão de Império e Imperialismo quando se tem o primeiro contato com Negri e Hardt. É preciso entender que o conceito de Império é uma nova forma de analisar a política global contemporânea, por isso o conceito moderno (entendemos por moderno o período que vai de 1500 a 1945) de imperialismo não cabe mais as analises é um conceito frouxo que pode explicar apenas em partes ou em parte nenhum a situação em que vivemos.
A fim de esclarecer essa confusão faremos uma cartografia a fim de facilitar a diferenciação entre os dois períodos e seus conceitos.A modernidade esta intrinsecamente ligada a modernidade. A modernidade em si é o espaço da sociedade disciplinar, da rigidez, da solidez. Da Hegemonia do Estado-nação sobre a população e a economia de seu território. Na modernidade existiam “centros” de comando e áreas bem delimitadas para que esses centros pudessem agir. É assim que funciona o próprio sistema imperialista, um País Europeu domina um país da America do sul ou da África. Fica claro que o conceito de imperialismo serve a essa temporalidade então.
Já a pós-modernidade toma contornos completamente diferentes. É um espaço fluido que engolfa todo a globo terrestre. Os centros de comando não existem mais, as ordens vêm de todos os lugares, vem do virtual existe então um não-lugar de comando. A rigidez, a solidez foi substituída pelo controle e pela fluidez, não se precisa mais deixar o individuo ou o capital preso numa instituição disciplinar, agora se controla o fluxo, vive-se em locais abertos mais quase sempre monitorados.O Império domina o globo, opera nele por completo.
Na modernidade como vimos existiam espaços bem delimitados para que os Estados-nação agissem, agora na pós-modernidade o enfraquecimento dos Estados-nação mostra a sua incapacidade de governar a nova carne da multidão. Por outro lado vemos a globalização da economia. Quem controla esses fluxos globais de mão de obra, de capital, bolsa de valores... São as grandes corporações que controlam esses fluxos.
Negri e Hardt São bem claros ao afirmar “A transição para o Império surge no crepúsculo da soberania moderna. Em contraste com o imperialismo, o Império não estabelece um centro territorial de poder, nem se baseia em fronteiras ou barreiras fixas. É um aparelho de descentralização e desterritorialização do geral que incorpora gradualmente o mundo inteiro dentro de suas fronteiras abertas e em expansão. O Império administra entidades híbridas, hierarquias flexíveis e permutas plurais por meio de estruturas de comando reguladoras. As distintas cores nacionais do mapa imperialista do mundo se uniram e mesclaram, num arco-íris imperial global.”

domingo, 16 de agosto de 2009




Coisas que nem sempre podemos ver. O Império a nossa frente.

Murilo Esteves Junior

Negri e Hardt são afirmativos “o império está se materializando diante de nossos olhos”. Existe uma mudança clara nas tecnologias de poder, a forma de organizar o mundo e a supremacia. Os sintomas podem ser visto através de alguns fatos históricos. O fim do imperialismo, a queda do bloco da união soviética e os fluxos de troca comerciais e culturais a qual chamamos de globalização, esse é um processo irresistível e irreversível que ajuda a aumentar ainda mais o abismo das diferenças. A globalização sem duvida é um processo de mistura, de miscigenação e hibridização em muitos campos, mas a globalização como nós a conhecemos hoje, está sendo utilizada apenas a favor de poucos, que se beneficiam com a sua mobilidade global. A possibilidade de mobilidade, de descentralização e de deslocamento dá a vantagem para alguns, que estão o tempo todo em todos os lugares no globo e não estão em local nenhum ao mesmo tempo.
Traçando uma cartografia do mundo contemporâneo podemos expor algumas características:
A produção capitalista global está cada vez mais livre e nas mãos de alguns homens que não precisam mais respeitar as leis de Estados-nação, pois suas empresas são globais. Suas indústrias podem estar localizadas nas regiões onde a mão de obra existe em abundância e baixo custo, seus centros de tecnologias estão perto das universidades e redes de relacionamentos de produção imaterial, mas não existe duvida de que seus produtos estão espalhados por todo o globo.
A “direita” grita em alto e bom som uma vitória, um som que a muito estava sendo abafado pelo Estado e pelos sindicatos. O mercado finalmente sofre pouca distorção do Estado, o mercado se auto-regula.
A soberania do Estado-nação está sofrendo ataques, e a cada dia que passamos podemos perceber o seu enfraquecimento de decisão perto das grandes corporações econômicas.
Parece-nos então que é uma vitoria do capitalismo e que não existem mais espaços para uma resistência.
As produções e fluxos são globais, a soberania do Estado não é capaz de regular nem controlar esses elementos, as coisas parecem estar fora de controle. Mas só porque a soberania do Estado declina não quer dizer que ela não exista, na verdade presenciamos o crescimento de uma nova soberania. Essa nova forma de soberania mistura elementos nacionais e supranacionais e é a isso que Negri e Hardt denominam como Império.

Videos do Segundo Fórum de Mídia Livre em Vitória.

Ontem dia 15/08/2009 (sábado) rolou o II FML, pela manha: oficinas, pela tarde: desconferencia. que não pode ir ta rolando na internet uns videos, então confiram o link:

http://pt-br.justin.tv/forummidialivre


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

II Fórum de Mídia Livre


O II Fórum Mídia Livre ocorrerá em Vitória nos dias 13 a 15 de novembro. Até lá midialivristas capixabas irão percorrer o estado, do Sul ao Norte, para divulgar o evento, através do Seminário Aberto Itinerante "Nós Somos a Mídia".


A caravana midialivrista capixaba começa na capital, na Universidade Federal do Espírito Santo. E todos estão convidados a participar. Inscreva-se.


"Nós somos a Mídia"

Seminário Aberto Itinerante

rumo ao II Fórum de Mídia Livre

15 de agosto - 9h às 18h
Núcleo de Multimeios (Bob Esponja) - Centro de Artes - Ufes


Programação

9h – Abertura

9h30 – Oficinas de Mídia Livre


1) PodCasts – ou Faça sua Própria Rádio

Oficineiros: Marcelo Daigo, Yuri Santos e Osvaldo Oleare

Resumo: participantes produzem dois podcasts para a Rádio Mídia Livre. O objetivo é aprender técnicas de produção e divulgação de podcasts.

Vagas: 15 pessoas


2) Blogs e Comunicação Institucional

Oficineiros: Thalles Waichert e Fábio Malini

Resumo: participantes produzem textos para diferentes gêneros de blogs. O objetivo é mostrar como uma organização/movimento pode mobilizar diferentes públicos em torno dessa mídia social.

Vagas: 20 pessoas


3) Criação de Mashups em Áudio - ESGOTADA

Oficineiros: Murilo Esteves

Resumo: participantes vão produzir mashups em áudio, um dos gêneros de mais rápida circulação na web. Mashup é uma técnica musical que consiste em mixar vários samples de musicas diversas e através de algumas modificações formar uma nova musica. Dentro dessa problemática é possível abordar temas como direitos autorais, sample, morte dos autores e copyleft. A oficina de mashup pretende ser um espaço de junção crítica teórica e prática na construção de musica “comum”.

Vagas: 10 pessoas


4) Estratégias de Comunicação em Mídia Social, ênfase no Twitter - ESGOTADA

Oficineiro: Júlio Valentim

Resumo: Você sabe se comunicar em mídias sociais na internet? Então a idéia é socializar técnicas de guerrilha de informação em redes sociais, principalmente o Twitter. Hoje a mídia de massa é fixação. Informação é na internet. Então o objetivo é mostrar como produzir visibilidade da sua informação em rede.

Vagas: 15 pessoas


5) Fotografia – Ligth Painting - ESGOTADA

Oficineiros: Izais Buson e Thiago Coutinho
Resumo: A técnica fotográfica Light Painting (Pintando com luz) consiste em fazer fotografias com longa exposição e usar os deslocamentos da luz para inscrever desenhos na imagem. A oficina permite aos participantes o contato com uma técnica experimental de fotografia e demonstra como pode ser feita a manipulação da imagem sem o uso de programas de pós-produção.

Após a produção das fotografias, haverá uma seleção e as principais imagens que dialoguem com a causa midialivrista serão publicados no blog do evento.

Vagas: 7 pessoas


14h às 18hDesconferência “Nós somos a mídia! Debate sobre estado da mídia e da cultura no Espírito Santo.Sem muros de lamentação. Resistir é criar. O Barcamp "nós somos a mídia" visa discutir o estado da mídia e da cultura no Espírito Santo. Quais são as possibilidades e as limitação para a criação de mídias hoje no Espírito Santo? Há modelos de negócio para o empreendedorismo em mídia livre? Recombinar ou remixar é violar direito autoral? Como os processos de colaboração e compartilhamento geram novas linguagens de mídia? Essas e outras questões serão discutidas na desconferência.



segunda-feira, 10 de agosto de 2009


Esse é o oficial... talvez a data inicial mude, mas continuem a acompanhar o blog que informaremos sobre a data.

abraços

domingo, 9 de agosto de 2009


micro-cartas para a galera já ir aquecendo para o grupo de estudos...

abraços

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

POR UM DESLOCAMENTO POLÍTICO COMUM: uma crítica a mim mesmo e a todos nós

Davis M Alvim

Gilles Deleuze diagnosticou as nossas sociedades como sociedades de controle. Esse termo já é bastante conhecido daqueles que estão familiarizados aos textos do filósofo, mas vale uma breve explicação para quem o desconhece.

Os dispositivos de controle são uma novíssima modulação, nascida após a Segunda Guerra Mundial, a partir da crise daquilo que Michel Foucault chamava de sociedade disciplinar. A disciplina foi a primeira modalidade histórica do poder a incidir de forma direta e constante sobre a vida das pessoas, ela estabelecia parâmetros de pensamento, ação e prescrevia quais comportamentos eram normais ou desviantes. Costumava-se conceber os mecanismos de poder como repressores, mas na verdade essa formulação é inadequada há séculos. Na disciplina, os poderes voltavam-se não apenas para os aspectos negativos (proibição, subtração de tempo, taxação, pena de morte), mas principalmente para a vigilância, a avaliação e a incitação, passando assim a produzir forças, não mais a destruí-las. Na sociedade de disciplina predominavam os espaços fechados, com características normativas próprias, como a família, a escola, a fábrica ou a prisão, já os mecanismos de controle, como a mídia, a propaganda e o mercado, atuam principalmente ao ar livre, circulando livremente nas avenidas das grandes cidades. As paredes das instituições se tornaram fluidas e os mecanismos de controle agora estão presentes no todo social. A transição caminha da fábrica à empresa, do exame ao controle contínuo, do homem confinado ao homem endividado.


Nossas vidas hoje diferem dos antigos modelos disciplinares, modernos ou imperialistas, pois agora se pretende estimular o movimento, ou melhor, dar a ele uma forma, uma vazão ou um escoamento. Se a rígida disciplina ainda existe, ela é hoje atravessada por outras forças mais líquidas. As novas gerações passam cada vez menos tempo exercitando-se na memorização de questões escolares, paralisadas em frente ao brilho do aparelho televisor ou até mesmo lendo os tediosos jornais diários. Tais dispositivos estão sendo aos poucos trocados pelo uso de múltiplos programas de computador, pela prática de esportes ditos “radicais” ou pelo investimento de tempo e subjetividade em práticas empreendedoras que visam sobreviver em um mercado que demanda atenção incessante para com seus fluxos e oscilações. O movimento é assim capturado pela luta pela sobrevivência na precariedade do mercado.



Os novos dispositivos de poder administrativos, midiáticos e empresariais lidam de forma inédita com movimento e rejeitam abertamente a obediência cega e mecânica promovida pela antiga sociedade de disciplina. A questão passa então a ser como escapar ao controle do movimento. Seria possível intensificar os fluxos até o ponto em que os dispositivos de barragem e canalização se rompam? Tal intensificação só pode ocorrer por uma forte potência política que não perca de vista a multiplicidade, construindo no comum e no coletivo. Trata-se de uma luta contra a “interiorização do movimento” e por um deslocamento político comum. Contudo, as forças do movimento interiorizado não param de impedir o movimento para fora: estamos perpetuamente em busca de formas qualificação profissional pouco críticas, lutando arduamente pela ascensão ou pura sobrevivência na meta-instabilidade do mercado, de tal forma que, se o movimento é permitido, ele se dá por dentro de uma tubulação pré-moldada. E ainda, se nos convidam a participar de forma criativa, não é senão para a resolução de problemas na gestão dos lucros e na lubrificação do maquinário capitalista.

Movimento interiorizado versus deslocamento para fora. No primeiro caso teríamos a produção perpétua de um movimento que não apenas convém como gestor e lubrificante dos micropoderes, mas que está às voltas com uma tendência centrífuga, pois coloca a força selvagem do corpo e do pensamento a serviço da produção de uma nova modalidade de interioridade. Trata-se de um “eu” que não mais sofre por suas fraturas e descentramentos, mas que, ao contrário, torna-se um Eu-movimento, misturando de forma bizarra elementos de edipianização e técnicas de gestão empresarial. Já o deslocamento para fora é uma força centrípeta, voltando nossos olhares, ainda que de mãos dadas e com amor, para fora, convertendo comunidades Bdsms, místicas, virtuais, em organismos políticos capazes de engendrar corpos ou partes monstruosas, e não simplesmente formarem esconderijos para aquietar o desejo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O que é o GEN?




As últimas décadas do século XX foram marcadas por mudanças profundas que varreram toda a superfície do planeta. Diante de novidades como a organização de um mercado cada vez mais global, a retração da força política do Estado-nação e a revolução da informática, não se pode deixar de notar que um dos mais notáveis acontecimentos de nossos tempos foi o desaparecimento do grande antagonismo entre os países socialistas e capitalistas. O fim dessa polaridade gerou diversas conseqüências, dentre quais a tendência ao desaparecimento da capacidade crítica em relação ao funcionamento geral do sistema capitalista, agora substituída por novas e adequadas formas de luta voltadas para problemas como, por exemplo, o gênero, a etnia e a sexualidade.


Por sua vez, o novo século parece trazer consigo novas configurações do ato de resistência, apontado a possibilidade de uma conexão mais profunda entre os movimentos sociais, o trabalho e as novas formas críticas da exploração capitalista. A produção intelectual de Antônio Negri e suas parcerias com Michael Hardt, advindas da experiência do operaísmo italiano, entre outros, abriram um espaço importante para a reflexão sobre o esse novo momento. O Grupo de Estudos Nômades (GEN) busca construir um espaço concreto para o debate sobre as possibilidades de resistência em nossos tempos, com reuniões quinzenais na Faculdade Cesat.


No semestre de 2009/2, o GEN pretende retomar os estudos. O primeiro ano de existência do grupo teve por objetivo estudar as diversas concepções de resistência por meio do pensamento de Michel Foucault e Gilles Deleuze. A nova proposta é retomar os estudos, que serão voltados para a noção de Império, multidão e comum, além de também abordar as novas perspectivas da crítica advinda do operaismo italiano, tema bastante em voga na discussão acadêmica atual no que diz respeito à globalização, os meios de comunicação e os novos movimentos sociais.


Nosso objetivo é pensar o ato de resistência no contexto pós-moderno, assim como as possibilidades de criação de espaços de vida política comum na Era do Império.



Em breve mais informações sobre inscrição e as datas dos encontros.