domingo, 16 de agosto de 2009




Coisas que nem sempre podemos ver. O Império a nossa frente.

Murilo Esteves Junior

Negri e Hardt são afirmativos “o império está se materializando diante de nossos olhos”. Existe uma mudança clara nas tecnologias de poder, a forma de organizar o mundo e a supremacia. Os sintomas podem ser visto através de alguns fatos históricos. O fim do imperialismo, a queda do bloco da união soviética e os fluxos de troca comerciais e culturais a qual chamamos de globalização, esse é um processo irresistível e irreversível que ajuda a aumentar ainda mais o abismo das diferenças. A globalização sem duvida é um processo de mistura, de miscigenação e hibridização em muitos campos, mas a globalização como nós a conhecemos hoje, está sendo utilizada apenas a favor de poucos, que se beneficiam com a sua mobilidade global. A possibilidade de mobilidade, de descentralização e de deslocamento dá a vantagem para alguns, que estão o tempo todo em todos os lugares no globo e não estão em local nenhum ao mesmo tempo.
Traçando uma cartografia do mundo contemporâneo podemos expor algumas características:
A produção capitalista global está cada vez mais livre e nas mãos de alguns homens que não precisam mais respeitar as leis de Estados-nação, pois suas empresas são globais. Suas indústrias podem estar localizadas nas regiões onde a mão de obra existe em abundância e baixo custo, seus centros de tecnologias estão perto das universidades e redes de relacionamentos de produção imaterial, mas não existe duvida de que seus produtos estão espalhados por todo o globo.
A “direita” grita em alto e bom som uma vitória, um som que a muito estava sendo abafado pelo Estado e pelos sindicatos. O mercado finalmente sofre pouca distorção do Estado, o mercado se auto-regula.
A soberania do Estado-nação está sofrendo ataques, e a cada dia que passamos podemos perceber o seu enfraquecimento de decisão perto das grandes corporações econômicas.
Parece-nos então que é uma vitoria do capitalismo e que não existem mais espaços para uma resistência.
As produções e fluxos são globais, a soberania do Estado não é capaz de regular nem controlar esses elementos, as coisas parecem estar fora de controle. Mas só porque a soberania do Estado declina não quer dizer que ela não exista, na verdade presenciamos o crescimento de uma nova soberania. Essa nova forma de soberania mistura elementos nacionais e supranacionais e é a isso que Negri e Hardt denominam como Império.

2 comentários:

  1. sim, nacionais e principalmente supranacionais, pois ultrapassam toda e qualquer fronteira física entre os povos. A formação do comum e das forma singulares de vida, de trabalho está cada vez mais se enquadrando numa espécie de antropologia global, da qual se pensam em pobreza global e produtividade global, ex disso é o que você citou no seu post sobre a mão de obra e ausência de possibilidade para descentralizar e se deslocar. O que se deslocam são os fluxos cambiantes de produção.
    Bom, o Império se mobiliza de uma forma que força a multidão a concretizar um projeto político coerente para esse combate se desenvolver e daí surgir possibilidades de discussão prática da coisa. A carne multidudinária como diz Negri e Hardt precisa formar um corpo político que transforme suas singularidades em divisões e hierarquias, reduzindo o comum a meios de controle global e expropriando o comum como riqueza privada. Esse mudança digamos de ponto de vista sobre o surgimento da multidão como projeto não é natural e sim pertencente ao processo de resistência. Toda essa expropriação do comum pelo controle global gera uma sobra, um excedente que se resignifica em revolta e se transforma em inteligências, experiências, desejo e conhecimento. São esses os pilares para se pensar numa fuga dos circuitos de produção global. Pois é da privação que surge a possibilidade de recriação e que alimenta a multidão contra o corpo político global.

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  2. Ficou legal o texto Murilo. Massa!

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